Periferi(d)as - Poema de Igor Gomes

Periferi(d)as

 

Quando nasceu

Algum anjo ou algum exu

Desses que não temem a mira da bala perdida

Disse:

Vai, Lucas, vai ser tú alguém na vida!

 

O pedreiro espia o cortiço

A espera de um dia nele morar.

E espia o sonho que deixou lá no norte.

A tarde talvez fosse azul

Não houvesse por aqui tanta morte.

 

O bonde passa.

Portando os kits.

Ecko, hollister, lacoste, john john.

Por que tanto kit?

Talvez a resposta esteja na canção

A canção no entanto num diz nada.

Nem do pai ausente,

Nem do fuzil no lugar caderno,

Nem da corrente no calcanhar do nosso avô,

E nem da fome.

E é o kit, no entanto, o que faz do moleque um homem.

 

O homem atrás da viatura

Tem um aperto no peito e aperta o gatilho.

(Mal)dita e dura sua ditadura

Esconde as balas do novo extermínio.

 

Meu Deus, por que abandonaste Maria?

Se sabia que mulheres pretas não são sempre deusas, não são sempre fortes?

Se sabia que os filhos das mulheres pretas são sempre condenados a morte?

 

Raimundo, Raimundo, vasta Raimundo.

Não fosses tu nome de avenida

Diria que é nome de rapaz.

Fosse mesmo tão vasto esse mundo

E rimasse com vida

Haveria ao menos um espaço pra paz.

 

Eu não devia te dizer

Mas Lucas que podia ser alguém

Padeiro, doutor ou artista.

Tornou-se apenas mais um refém

Da assombrosa estatística.

(Igor Gomes)

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