Abandonados

Tocamos a noite com as mãos,
escorrendo a escuridão por nossos dedos,
massageando-a como a pele de uma ovelha
                                                                    negra.
 
Nos abandodamos ao desamor,
ao desânimo de viver coletando horas no vazio,
nos dias que se deixam passar e voltam a se repetir,
intranscendentes,
sem marcas, nem sol, nem explosões radiantes de claridade.
 
Nos abandonamos dolorosamente à solidão,
sentimos a necessidade de amor por de baixo das unhas,
o vazio de um alicate no peito,
a lembrança e o ruído , como dentro de um caracol
que já viveu bastante num aquário da cidade
e mal leva concigo o eco do mar em seu labirinto de concha.
 
Como voltar a capturar o tempo?
 
Colocá-lo entre o corpo forte do desejo e a angústia,
fazê-lo retroceder acovardado
por nossa inquebrantável decisão?
 
Mas... quem sabe se poderemos recuperar o momento
                                                                         que perdemos.
 
Niguém pode predizer o passado
quando talvez já não sejamos os mesmos,
quando talvez já tenhamos esquecido
o nome da rua
onde
alguma vez
pudemos
nos encontrar.
 
(Gioconda Belli)
 Livro "O olho da mulher"
Tradução: Silvio Diogo
comments

  

DONDE MIRAS  colecionadore de pedras  angude sangue    mesquiteios  

manda busca  tarja preta   aguas da cabaca  entre o silencio e o alter ego  sobreesquinastulmutuadasdeverdade

capa serginho donde miras  toda poesia paulo leminski literatura r7 4501  vinicius de moraes  motolove  capavictor  desenho do chao

  

Acervo

Conheça o acervo online do Coletivo Correspondência Poética que desde de 2009 atua na pesquisa e difusão literária, por meio de diferentes plataformas.

 

iconwifi

para ver para ouvir

Biblioteca

Videoteca

Audioteca

Acesse nosso acervo de poesias.

Leia ou envie poemas.

São mais de 150 vídeo poemas

para você assistir.

Aumente o volume e conheça

nossa audioteca poética.