PAÍS ASSASSINO - poema de Jeferson Messias

 

Nossa história foi feita toda troncha

Por autores de penas aleijadas.

Mil garotos tristonhos, nas calçadas,

Recebendo desdém que vira roncha;

Marca vil de pancada em sua concha,

Qu’é mais frágil que o modo de pensar.

E o país, ao invés de os ajudar,

Faz valer punições inconsequentes.

Assassina, Brasil, teus inocentes,

Que depois tu terás por quem chorar.

 

Tuas ruas são veias entupidas

De pobreza e meninos solitários,

Que conhecem as trilhas dos calvários

Onde morrem de fome suas vidas,

Sem apelos às terras prometidas,

Pois sabem que a ideia sublime de sonhar

É um sonho com sonho de acordar

E que só os deixam mais tristes, mais doentes.

Assassina, Brasil, teus inocentes,

Que depois tu terás por quem chorar.

 

Ó, país tão cruel e sem roteiro,

Que alimenta somente o próprio umbigo...

Tu atrais, pra ti mesmo, um só perigo,

Pois, assim, te envenenas por inteiro.

Deixando para o povo brasileiro

Navalhas corruptas para sangrar

As chagas que jamais vão se curar

Por causarem só danos permanentes...

Assassina, Brasil, teus inocentes,

Que depois tu terás por quem chorar

 

Tua escola é tão falha e sem apuro

Que teu jovem se perde em seu vazio.

Vê o apocalipse louco e frio

Consumir o seu mundo sem futuro;

Mas resistem, isso é claro, ao jogo duro,

Pois aprendem mais cedo a guerrear.

Porém tu, que aprendestes só matar,

 

Que farás pra criar sobreviventes?

Assassina, Brasil, teus inocentes,

Que depois tu terás por quem chorar.

 

Fazes tu da cobiça tua lança

E as promessas banais são teu escudo.

Negas tudo a teu povo, até o estudo;

Sob impostos, sonegas a esperança

Desfazendo o sorriso da criança

Que tem fome de tempo e de brincar

E assim cresce raquítica a sonhar

Dias fartos, felizes, sorridentes.

Assassina, Brasil, teus inocentes,

Que depois tu terás por quem chorar

 

Não me venhas depois, com teus queixumes,

Se teu povo, sem terra, resolver

Procurar país novo para viver

E adotar nova vida, outros costumes.

Pois tu és uma pátria de azedumes

Que despreza nação tão singular.

E nós todos, cansados de esperar,

Te daremos um NÃO, indiferentes.

Assassina, Brasil, teus inocentes,

Que depois tu terás por quem chorar.

 

(Jefersson Messias)

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