TODO - poema de Bobby Baq

Espero que seja fácil pra entender
que eu só saí da encharcada fossa
pra vir aqui te convencer.
Que seja fácil e que você pressinta
que o meu presente já nem existe
e meus agoras tão sendo feitos
do nosso passado que ainda persiste.

Olha!
Olha, pra esse meu ser pré-histórico,
com peito de pedra lascada:
ele quer que a noite caia,
mas sem quebrar de novo em duas,
ficando então uma noite pra cada.
Quero uma noite só.
Uma noite inteira.
Única e colada.

Sim, eu assumo e desconfio
que a vida seria mais fácil
se eu não fosse esse símio no cio.
Mas é que agora eu ando torto,
tronxo, tonho.
Estranho assim:
sem saber de uma boa resposta
pra quem pergunta de mim.

Ando assim.
Isso é, quando eu ando!
Por que sempre que dói eu paro
e só me dopando eu ando.
Dopando... dopando... dopando...
Espero que seja fácil pra entender
esse meu vício:
eu consumo assíduo,
os teus restos,
que residem nos meus resquícios.

Que seja fácil pra você
como é pra quem me desdobra
e vê que os remendos na pele
são todos as suas sobras.

Espero que seja fácil por que no fundo
eu sei.
Eu sei que sei! Eu sei que sabe!
Eu sei eu e você... eu...

 

 

 

Eu sei que você saca

que eu te seco

e cê me caça.

Eu sei que você sabe

que eu te cego

e cê me cabe.

Eu sei que você manja

que eu te queijo

e cê me canja.

E isso é um absurdo:

Eu sei que eu te tento

e cê não sabe que me tudo.
 


Espero que seja fácil, mesmo sabendo
que já está sendo difícil,
te ver calada
vazando silêncio
por todos seus orifícios.

Espero que seja fácil,
se for difícil...
Não tem problema, não vale a pena.
Disso tudo eu aprendi
que só uma coisa é certeira:

Sempre parte do que parte
permanece a vida inteira.

 

(Bobby Baq)

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